Com a finalidade de entender como são os desafios diários das Mulheres que exercem profissões ligadas à Operação realizamos entrevistas com três de nossas colaboradoras que atuam nesta área. O intuito era ouvir e entender como são estes desafios frente à situações de preconceitos estabelecidos pela sociedade.


Acreditamos que as Mulheres são pessoas totalmente aptas a qualquer profissão que almejam para si mesmas. Para isso, é enriquecedor ouvirmos o que Elas têm a dizer.

Sendo assim, o projeto ESG através da ação “Mulheres Mão na Massa” visa trazer conscientização sobre cenário atual das mulheres na Operação.

As colaboradoras que responderam a pesquisa são:

Ariane Cordeiro dos Reis – Analista de PCP

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Larissa Ribeiro Herzog – Gerente de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente

Larissa

Sabrina Ribeiro da Silva – Operadora de empilhadeira

Sabrina Ribeiro da Silva

Confira as entrevistas abaixo

Entrevistada: Ariane Cordeiro dos Reis

Cargo: Analista de PCP

Idade: 31 anos

Empresa: Lafaete – Unidade de Duque de Caxias

Perguntas:

1. Como surgiu sua escolha pela profissão?

Desde criança eu possuía características fortes para as áreas de exatas. Mas, aos 19 anos comecei a trabalhar em uma indústria de plástico, então lá decidi que cursaria a engenharia de produção.

2. Quais barreiras sociais você venceu para estar em seu cargo atual?

Comecei a trabalhar aos 10 anos de idade vendendo doces nos bailes de um clube do meu bairro, pois eu queria investir nos meus estudos. Depois fui babá, auxiliar de cabeleireira e professora. Meus pais cursaram somente até o 5º ano de escolaridade e para eles uma carreira boa para mim seria me tornar professora. Cursei o magistério e atuei na área por 6 anos. Quando completei 18 anos decidi que iria trabalhar em outra área pois o magistério era financeiramente inviável para cursar uma graduação. Então entrei no meu primeiro canteiro de obras com 18 anos como auxiliar adm. e depois veio a indústria, quando me encantei pela engenharia de produção. Porém eu não conseguia custear a engenharia, por isso tive que fazer um caminho mais longo cursando o tecnólogo em logística e o MBA em gestão empresarial para melhorar o meu salário e também obter descontos na engenharia. Ao todo já estou há 09 anos na universidade.

3. Quais desafios você já enfrentou por estar em um ambiente profissional majoritariamente masculino?

Os desafios são diários. Normalmente somos desvalorizadas e descredibilizadas pelo simples fato de sermos mulheres. Temos que provar a todo instante a nossa capacidade e conhecimento na área para obter um pouco de “voz”. As exigências são muito maiores e o reconhecimento é muito mais demorado do que para um homem. Ao longo da minha trajetória já ouvi algumas vezes que não poderia ser promovida de cargo, pois sou mulher e possuía uma aparência jovem.

4. Quais características você acredita que por ser mulher consegue agregar mais ao trabalho?

Normalmente mulheres são mais “guerreiras”. Suportam por mais tempo as situações adversas. Algumas características femininas como concentração, persistência e boa memória ajudam bastante na execução das multitarefas diárias.

5. Como você conduz a liderança em seu trabalho?

Eu sou exigente, mas procuro ouvir a opinião dos meus liderados. Normalmente as melhores ideias vêm daqueles que estão na execução do processo. Gosto de estar muito próxima da operação para entender as reais dificuldades da equipe e “brigar” por eles. Não tenho medo ou vaidade de colocar a mão na massa.

6. O que você acredita que precisa ser mudado para que as mulheres se integrem mais nos setores em que as oportunidades são dadas em sua maioria para homens?

A visão de quem gerencia. A nossa sociedade ainda é extremamente machista e isso também está presente nas organizações. Existem áreas de trabalho onde raramente se vê a presença de mulheres, principalmente em cargos de liderança.

7. Você possui alguma referência feminina que te inspira a vencer desafios impostos em sua profissão?

Na minha profissão exatamente não. Mas ao longo da minha vida e na minha formação no magistério me deparei com mulheres muito fortes e com pensamentos críticos bem desenvolvidos. Todas elas contribuíram para a construção das minhas ideias. A Luiza Trajano do Magazine Luiza é uma mulher que nos últimos tempos vem se destacando no mundo dos negócios e eu costumo ver algumas coisas sobre ela.

8. Qual mensagem você gostaria de passar para as mulheres que têm o desejo de atuar na área de operações?

O mais importante é você atuar na área que faz o seu coração vibrar, independente das dificuldades! Se você descobriu isso, então vá em frente! Busque sempre se qualificar e entregue o seu melhor todos os dias, que você irá conquistar o seu espaço! Nenhum preconceito resiste aos resultados!

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Entrevistada: Larissa Ribeiro Herzog

Cargo: Gerente de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente

Idade: 37 anos

Empresa: Lafaete Locações

Perguntas:

1.   Como surgiu sua escolha pela profissão?

Devido a habilidade com a área de exatas e biologia tinha interesse em fazer engenharia com algo voltado para o meio ambiente. O curso de engenharia ambiental era relativamente novo, mas prometia ser o curso do futuro. Após ler bastante sobre o curso e área de trabalho, me apaixonei pela área e decidi ingressar. Sem dúvida a melhor escolha da minha vida. Ao ingressar na faculdade fiz um estágio na área de meio ambiente e segurança do trabalho. Gostei bastante da área e decidi fazer uma especialização em engenharia de segurança do trabalho após a conclusão da graduação. Como o curso de engenharia de segurança do trabalho é o único curso a nível de pós-graduação que permite uma segunda titulação junto ao CREA, atualmente tenho as duas formações.

2.   Quais barreiras sociais você venceu para estar em seu cargo atual?

Falta de oportunidades de emprego para mulheres. Empresas geralmente não dão preferência para mulheres ocuparem cargos de Liderança.

3.   Quais desafios você já enfrentou por estar em um ambiente profissional majoritariamente masculino?

·         Diferentes tipos de assédio

·         Falta de respeito

·         Falta de credibilidade

·         Insegurança

·         Ansiedade

4.   Quais características você acredita que por ser mulher consegue agregar mais ao trabalho?

·         Capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo e gerenciar cada uma delas em forma de “caixinhas”

·         Relacionamento interpessoal: As mulheres apresentar facilidade na condução dos relacionamentos profissionais.

·         Foco: Por sua habilidade multitarefas, consegue gerenciar as prioridades e focar nas entregas, atendendo aos prazos.

·         Trabalho sob pressão: Também por serem multitarefas geralmente suportam mais pressão por produtividade no trabalho.

·         Atenção aos detalhes

·         Criatividade

·         Sensibilidade

·         Organização

·         Empatia

5.   Como você conduz a liderança em seu trabalho?

·         Com muita empatia e respeito pelos meus liderados.

·         Com abertura ao diálogo diariamente.

·         Com feedback positivo e construtivo diário

·         Gosto de tratar todos como gostariam de ser tratados e não como eu gostaria de ser tratada. É importante conhecer a forma de comunicação e a sensibilidade de cada um. Algumas pessoas são mais razão e outras coração. Isso implica diretamente na comunicação assertiva e efetiva.

·         Com estabelecimento de entregáveis, metas e prioridades de forma clara e transparente.

·         Através de uma relação de confiança mútua.

6.   O que você acredita que precisa ser mudado para que as mulheres se integrem mais nos setores em que as oportunidades são dadas em sua maioria para homens?

·         Mudança de cultura das empresas tanto no processo de contratação como no processo de promoção

·         Equiparação salarial aos homens que ocupam os mesmos cargos

·         Contratação de mulheres mesmo grávidas ou com filhos

·         Desenvolvimento de programas e benefícios que permitam a conciliação do trabalho da mulher e o cuidado com os filhos

7.   Você possui alguma referência feminina que te inspira a vencer desafios impostos em sua profissão?

Sheryl Sandberg

“Considerada uma das mulheres mais poderosas do mundo, Sheryl Sandberg é a Chefe de Operações (COO) do Facebook há quase 12 anos. Uma de suas grandes lições é o diálogo entre líderes e colaboradores, pois acredita que quem coloca a mão na massa pode gerar os melhores insights. Sheryl Sandberg também defende que as empresas entendam os erros como parte da evolução. Com bons feedbacks, cada um pode crescer e o negócio tem a ganhar de forma mais ampla.”

O estilo de liderança dela está na linha do que acredito para que as empresas tenha atividades mais seguras e ambientalmente corretas.

8.   Qual mensagem você gostaria de passar para as mulheres que têm o desejo de atuar na área de operações?

Estudem bastante, se atualizem constantemente, façam cursos de gestão, liderança e comunicação e corram atrás dos seus sonhos. O emprego e cargo dos sonhos não cairá do céu, independente de gênero, é necessário esforço e dedicação para merecê-lo. Não seja parte da equipe apenas por ser mulher, seja por suas competências e habilidades para o cargo.

Mensagem final: “Nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários”.

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Entrevistada: Sabrina Ribeiro da Silva

Cargo: Operador de empilhadeira

Idade: 34 anos

Empresa: Lafaete locação de equipamentos unidade contagem

Perguntas:

1. Como surgiu sua escolha pela profissão?

Foi incentivo do meu primo, que também é operador de empilhadeira.

2. Quais barreiras sociais você venceu para estar em seu cargo atual?

Sem dúvidas o preconceito por ser mulher.

3. Quais desafios você já enfrentou por estar em um ambiente profissional majoritariamente masculino?

Sempre foi ouvir, você não tem perfil para esse cargo,você é mulher,você é muito nova para isso,o preconceito fez eu acredita em mim e no meu potencial e vencer ,essa barreira que é o preconceito.

4. Quais características você acredita que por ser mulher consegue agregar mais ao trabalho?

Acho que nós mulheres sempre tem uma toque a mais de atenção, cuidado, pontualidade, sempre impondo respeito ao seus gestores e colegas de trabalho.

5. Como você conduz a liderança em seu trabalho?

Sempre procuro escutar tiras dúvidas e sempre respeitar meu líder, sempre tive boa relação com meus líderes.

6. O que você acredita que precisa ser mudado para que as mulheres se integrem mais nos setores em que as oportunidades são dadas em sua maioria para homens?

o preconceito,o assédio moral,a falta de respeito por sermos mulheres e eles acharem que nunca vamos conseguir.

7. Você possui alguma referência feminina que te inspira a vencer desafios impostos em sua profissão?

Sim minha mãe, guerreira trabalhadora ela sempre foi uma referência de mulher trabalhadora.

8. Qual mensagem você gostaria de passar para as mulheres que têm o desejo de atuar na área de operações?

Uma coisa que as mulheres têm de aprender é que ninguém te dá o poder de bandeja. Você tem de agarrá-lo.

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Em suma,

Podemos perceber o quão latente é o assunto em pauta, tanto no que tange a sociedade como um todo como também em nossos locais de trabalho que se torna reflexo do mundo em que vivemos.

Ouça, entenda e aplique. Vamos juntos na luta pela valorização da mulher no setor de Operações.